À procura de mim

Quando encontrar, aviso.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Está tudo aqui

Navegando pela internet deparei-me com um artigo brasileiro que... descreve quase na perfeição aquilo que sinto. E como é difícil explicar o seu conteúdo, aqui deixo o artigo que me deixou com lágrimas nos olhos.

"Se pegarmos uma criança de três anos, colocarmos no meio da sala e gritarmos com ela, dizendo-lhe que é feia, que não faz nada direito, ignorarmos seus sentimentos, terminaríamos com uma criancinha assustada, sentada no canto da sala, quieta ou gritando e batendo em tudo. Ela agirá de uma dessas duas maneiras e nunca saberemos qual é o seu verdadeiro potencial.
Agora, se pegarmos na mesma criança e lhe dissermos o quanto a amamos, o quanto nos importamos com ela, que é bonita, que ela pode cometer erros enquanto aprende, que estaremos sempre ao seu lado nas horas boas e ruins, o potencial dessa criança será ilimitado.

Se você tivesse alguém que o criticasse o tempo todo, gostaria de estar sempre ao seu lado? Com certeza não! Pode ser que você tenha sido tratado dessa forma quando criança, sendo sempre criticado, tendo que reprimir seus sentimentos e isso é muito triste. Ou ainda, te trataram bem, mas sempre te comparavam a outra criança que você devia seguir como exemplo, ou ainda, te cobravam muito, cobravam notas, comportamentos, atitudes, tudo diferente do que fazia e principalmente, do que sentia, ficando sempre a sensação de que tudo que fazia era errado.

No entanto, isso aconteceu há muito tempo, mas é possível que mesmo não tendo ninguém que o trate dessa forma, você passou a se tratar assim até hoje, sempre se criticando, acreditando que o que faz, fala e sente está errado. Muitas vezes sentindo-se mal, angustiado, detestando-se a si mesmo, punindo-se sempre. Acreditando que seu maior erro foi ter nascido, pois mesmo adulto se sente ainda fazendo tudo errado.

Será mesmo? Será que você não ficou preso a um passado que tanto machucou, mas que não consegue se libertar? É possível que os sentimentos permaneçam, como se acontecessem no tempo presente. Sendo assim, sua auto-estima fica lá em baixo e a culpa lá em cima. Se o passado te machuca ainda, procure se desprender dessas lembranças que te machucam tanto. Deixe tudo no lugar dele: no passado.

Quando não nos aceitamos, não nos amamos, em geral é por nos sentirmos culpados por algo e indignos de qualquer sentimento positivo. Pessoas com esses sentimentos vivem se culpando nas mais diversas situações e pelos mais diferentes motivos. Culpam-se pelo que fazem, deixam de fazer, pelo que pensam e até pelo que sentem. E isso faz muito mal.
Muitas vezes abdicamos de coisas valiosas para nós, como se nos puníssemos de uma culpa inconsciente, com origem em alguma época de nossa vida. Afinal, para que fazermos algo que nos dê prazer, alegria, satisfação se nos sentimos tão sem valor? Como se o facto de estar feliz, fazer o que se gosta, buscar o que se acredita fosse pura "perda de tempo". Tudo o que diverte e dá prazer é considerado errado para quem se sente culpado. É como se tivesse uma voz soando lá no fundo, sempre dizendo: "você não merece, você não é capaz". Cada vez que ouvir isso dentro de você, reaja e pense: "Eu sou capaz, sim!".

Passamos então a viver em função dos outros, seja pai, mãe, marido, esposa, filhos etc. Tentamos agradar a todos, como que para provar a nós mesmos que temos algo de bom para dar. Sempre esperando que alguém reconheça nosso valor e nos faça acreditar que somos importantes. Como se o reconhecimento dessas pessoas sobre o que você faz de bom fosse o suficiente para torná-lo bom o bastante para que alguém o ame e o aceite. E quando não há o reconhecimento de alguém, surge a insatisfação, frustração e, novamente, a culpa e a certeza de não se ter nada de bom a oferecer. Com isso o tempo passa e deixamos de lado nossa própria vida, nossas vontades, nossos desejos e sonhos.

O que falta na verdade é aprender a reconhecer o seu próprio valor, acreditar que pode mudar o que te faz sofrer e se libertar de um passado que tanto machuca, aprisiona e que compromete o relacionamento actual. É preciso se libertar da necessidade de ser aprovado, reconhecido por pessoas que talvez nunca serão capazes de te dar o que precisa, mas você pode se dar o que ninguém talvez seja capaz: seu próprio amor. Pense nisso!"

A Missão

Neste momento sinto-me à deriva. Tenho tendência para absorver informação dos mais variados lados, ouvir diversas opiniões, estar aberta a novas ideias, apenas na esperança de que alguma delas me faça mais sentido. Significa que poucas são as ideias próprias que ainda me restam. Sou uma pessoa de valores, de convicções, sei distingir o certo do errado, mas dou por mim a não saber de onde venho e para onde vou. Será absurdo pensar que viemos ao mundo com uma missão? Ou a nossa vida é totalmente determinada por cada um de nós? Sinto que vivi sempre com a missão de agradar aos meus pais. O meu maior desejo era ser motivo de orgulho para eles, e sempre que falhava marterizava-me com a ideia de que não era boa o suficiente. Chego a esta altura da vida e apercebo-me que 90% dela foi passada a seguir as pisadas que outros marcaram para mim.
Considero que atingi o fundo do poço. O meu maior desejo e objectivo neste momento é reencontrar-me comigo mesma, é descobrir quem sou, o que quero fazer com a minha vida, quais são os meus gostos, desejos, e tentar ser o mais sincera, verdadeira e transparente possível... comigo mesma, primeiro, e com os outros. Quero melhorar como pessoa. Quero ser alguém agradável de estar ao pé. Alguém a quem se goste de contar algo pessoal. Alguém de confiança, que aprofunda relações e consegue transmitir paz e serenidade.
Dizem que o mais importante é apercebermo-nos das nossas limitações, das nossas imperfeições, e termos a humildade de pedir ajuda quando sentimos que não conseguimos mudar sozinhos.
Eu estou nesse ponto. Vou parar, reflectir muito, voltar atrás até. Às vezes é preciso dar dois passos atrás para voltar a dar um passo em frente. E eu quero fazer isso. Por mim. Para poder olhar no espelho um dia e dizer: "Apaixonei-me pela pessoa em que te tornaste. És especial".

quarta-feira, setembro 27, 2006

Dilemas

De tanto tentar fazer as coisas bem feitas, acabo por me meter por caminhos pantanosos.
Eu não estou bem. Por dentro, sinto que não tenho definição. Mas esforço-me tanto por ser aceite, por parecer normal, feliz até, que acabo por me desgastar para além do razoável.
A nossa vida devia girar à nossa volta, em primeiro lugar, e depois ir incluíndo outras pessoas, especiais para nós. Eu ando a fazer tudo ao contrário. A minha vida tem girado em torno de uma pessoa, que não eu. Quando essa pessoa está de bem comigo eu iludo-me que as coisas estão bem. Quando essa pessoa está de mal comigo parece que o meu mundo desmorona. Qualquer momento junto dela é paraíso para mim, mas será que não me estou a enterrar ainda mais? Será que me deixando envolver em demasia não estarei apenas a enganar a mim própria pensando que é esse o caminho certo que me trará paz, tranquilidade e o amor que tanto almejo?
É a eterna luta entre a cabeça e o coração... e o meu tem estado em larga vantagem...

terça-feira, setembro 26, 2006

Os dias

O estado em que me encontro é doentio. Deito-me triste, demoro para adormecer, penso muito (passo o dia a pensar), sonho imenso durante a noite (muitos são pesadelos ou sonhos stressantes). Quando o despertador toca apetece-me morrer de pensar que mais um dia vai começar. A cabeça pesa. A vontade é nula. E então lá me levanto porque tem mesmo quer ser e não posso falhar aos poucos compromissos que ainda tenho. Mas quando não tenho que acordar cedo durmo até às 11h30. Abro os olhos quase sempre pelas 9h e fico feliz porque posso continuar a dormir. Pelas 11h30 acordo e penso na vergonha que sinto por ainda estar na cama. Começo a imaginar se alguém me liga àquela hora, ouve a minha voz de sono e pensa "Ainda na cama? Esta rapariga não faz nada". E depois vem-me à ideia que um vencedor dá a volta por cima, pensa pelo lado positivo das coisas e tenta sempre resolver o problema e ir contra o normal. Depois deste pensamento logo se segue outro: o de que realmente estou longe de ser uma vencedora, essa tal pessoa que tem a força de vontade de contrariar os maus pensamentos, e as lágrimas correm-me pelo rosto de forma contínua. Deixo-me estar nesse exercicio de auto-destruição mais uma hora. Levanto-me. Corro a casa como zombie e faço as tarefas habituais. Penso nele, "será q está a pensar em mim?". Almoço com a minha família de zombies. Ninguém conversa, apenas come e fala trivialidades. O melhor momento do meu início de tarde é quando vejo a novela "Laços de Família". Pelo menos ali posso observar verdadeiras famílias a resolver verdadeiros problemas com ponderação, equilíbrio e calma. Qualquer momento mais emotivo e choro. A minha lágrima é fácil, muito fácil. Depois disso lá tento trabalhar alguma coisa na Remax, mas sem vontade nenhuma. Gosto de estar a aprender coisas novas mas não encontro qualquer prazer em andar à procura de casas para vender, e à procura de clientes para comprar. Não me envolve emocionalmente. O produto não me traz mais valias, poderá trazer aos outros mas não a mim. De todo o meu empenho apenas vejo recompensa SE efectivamente uma venda se concretizar. Mas o meu tempo e empenho, esses não são recompensados. E na maior parte dos dias lá regresso eu a casa com a sensação de missão "não cumprida". E aí é o vazio completo.
O que ando eu aqui a fazer? O que quero da minha vida? Qual é o meu plano para o futuro? Tudo perguntas sem resposta, e um sentimento de pura inutilidade, de autêntica nulidade.
No final do dia falo com ele, inevitavelmente discuto com ele, e a raiva que sinto de mim própria é tanta que só me apetece desaparecer. É como querer ir para a esquerda, saber q só posso ir para a esquerda, que à direita está um beco sem saída... mas acabar sempre por seguir para a direita, por cada vez mais sentir que não tenho mesmo saída.
Esta é a doença mais triste, mais deprimente que se pode sofrer.
Trocava tudo por um dia diferente.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Escola da vida

Em miúda eu era amorosa, extremamente tímida e insegura. Cheia de sonhos... : uma vida melhor, mais amor, mais carinho. Duvidava tanto de mim que antes de um teste eu perguntava sempre aos meus pais: "acham que eu sou capaz? acham que vou conseguir?", sempre. Tinha tanta preocupação com a minha postura que parecia que, por dentro, já era senhora. O modo de andar, o modo de vestir, sempre muito séria e educada, sempre a fazer sala às pessoas. Sempre me senti mais à vontade entre adultos do que entre crianças. Entre adultos não há perguntas difíceis, não há desafios, não há constrangimentos. Os adultos falam para as crianças de forma clara, ponderada, de forma a não os baralhar muito. Já uma criança no meio de outras crianças depara-se com diferenças incríveis, entre pessoas da mesma idade. É nesses momentos que percebemos que não fomos educados nem preparados para a vida da mesma maneira. Damos por nós a não entender certas coisas e a sermos os únicos a ficar com cara de parvos a olhar para toda a gente. Quantas vezes desejei ter um buraco para me enterrar, quando os meus colegas queriam brincar aos beijinhos quando eu nem sequer sabia que a boca servia para mais coisas além de falar e comer. Bolas, inventava logo uma desculpa e lá ia eu ter com os adultos, sempre tão políticamente correctos e formais. Era bem mais tranquilo.
Eu agora vejo as crianças... até nos deixam de boca aberta com as suas observações espontâneas e inteligentes. E pertinentes! A personalidade desenha-se muito cedo, mais cedo do que pensamos. E quanto mais cedo olharmos para uma criança como se fosse um pequeno adulto mais cedo elas saberão o que esperar da vida, com o que devem contar e de que maneira devem reagir perante as situações.
Eu não tive essa escola. Tive a escola da etiqueta, da postura, da boa educação.
Se essa me preparou para a vida? Não. Mas fez-me ser uma pessoa que é apreciada pela maioria. Dou-me bem com quase toda a gente porque sou educada e simpática para com todos.
Mas será que tenho o respeito das pessoas? O que nos faz ganhar o respeito dos outros? Muita coisa, mas não crio que nem educação nem simpatia façam parte da lista.

Porquê?

Como cheguei eu a este ponto? Não saber quem sou. Não saber para que sirvo. Não saber quais são os meus objectivos, as minhas metas nesta vida. Não encontrar o meu lugar. Não saber onde quero estar...
Será que sou assim tão diferente de toda a gente? Que toda a gente tem problemas, isso eu sei, mas será que todos lidam com os problemas da mesma maneira? A resposta é claramente não.
Então por que me é tão difícil ver as coisas pelo lado positivo? De onde vem esta tendência para o pessimismo, para o dramatismo...?
Neste momento todo o meu cérebro são perguntas, para as quais anseio ter respostas objectivas, lógicas. Em quanto tempo estarei curada? Será que posso fazer as coisas normais durante o tratamento? Ou ficará a minha vida em "stand-by", até ao dia chegar?
Começo a entender o significado daquela expressão: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Será que só voltarei a ser amada quando também me amar a mim? Faz sentido, não posso negar... Mas... e quando estamos apaixonados... e esse amor não é correspondido... na mesma proporção, e só pensamos em "como é que eu vou reconquistá-lo", "como é que eu vou fazê-lo olhar para mim novamente como se eu fosse a mulher mais linda do mundo"... Será que só vai acontecer quando eu própria olhar para o espelho e me achar tal coisa? Será?...
Então talvez seja uma longa espera e sem um happy ending.

domingo, setembro 24, 2006

Escuridão

É onde me encontro neste momento... em plena e total escuridão.
Estou doente.
Depressão, disseram...
Obrigada depressão, por me estares a levar ao fundo tão rápido, por me fazeres perder todo o encanto, por fazeres com que perca o amor da pessoa q adoro.
Se esta é a tua maneira de chamares a minha atenção, conseguiste.
Sou toda ouvidos... O que queres que eu faça?