Os dias
O estado em que me encontro é doentio. Deito-me triste, demoro para adormecer, penso muito (passo o dia a pensar), sonho imenso durante a noite (muitos são pesadelos ou sonhos stressantes). Quando o despertador toca apetece-me morrer de pensar que mais um dia vai começar. A cabeça pesa. A vontade é nula. E então lá me levanto porque tem mesmo quer ser e não posso falhar aos poucos compromissos que ainda tenho. Mas quando não tenho que acordar cedo durmo até às 11h30. Abro os olhos quase sempre pelas 9h e fico feliz porque posso continuar a dormir. Pelas 11h30 acordo e penso na vergonha que sinto por ainda estar na cama. Começo a imaginar se alguém me liga àquela hora, ouve a minha voz de sono e pensa "Ainda na cama? Esta rapariga não faz nada". E depois vem-me à ideia que um vencedor dá a volta por cima, pensa pelo lado positivo das coisas e tenta sempre resolver o problema e ir contra o normal. Depois deste pensamento logo se segue outro: o de que realmente estou longe de ser uma vencedora, essa tal pessoa que tem a força de vontade de contrariar os maus pensamentos, e as lágrimas correm-me pelo rosto de forma contínua. Deixo-me estar nesse exercicio de auto-destruição mais uma hora. Levanto-me. Corro a casa como zombie e faço as tarefas habituais. Penso nele, "será q está a pensar em mim?". Almoço com a minha família de zombies. Ninguém conversa, apenas come e fala trivialidades. O melhor momento do meu início de tarde é quando vejo a novela "Laços de Família". Pelo menos ali posso observar verdadeiras famílias a resolver verdadeiros problemas com ponderação, equilíbrio e calma. Qualquer momento mais emotivo e choro. A minha lágrima é fácil, muito fácil. Depois disso lá tento trabalhar alguma coisa na Remax, mas sem vontade nenhuma. Gosto de estar a aprender coisas novas mas não encontro qualquer prazer em andar à procura de casas para vender, e à procura de clientes para comprar. Não me envolve emocionalmente. O produto não me traz mais valias, poderá trazer aos outros mas não a mim. De todo o meu empenho apenas vejo recompensa SE efectivamente uma venda se concretizar. Mas o meu tempo e empenho, esses não são recompensados. E na maior parte dos dias lá regresso eu a casa com a sensação de missão "não cumprida". E aí é o vazio completo.
O que ando eu aqui a fazer? O que quero da minha vida? Qual é o meu plano para o futuro? Tudo perguntas sem resposta, e um sentimento de pura inutilidade, de autêntica nulidade.
No final do dia falo com ele, inevitavelmente discuto com ele, e a raiva que sinto de mim própria é tanta que só me apetece desaparecer. É como querer ir para a esquerda, saber q só posso ir para a esquerda, que à direita está um beco sem saída... mas acabar sempre por seguir para a direita, por cada vez mais sentir que não tenho mesmo saída.
Esta é a doença mais triste, mais deprimente que se pode sofrer.
Trocava tudo por um dia diferente.

2 Comentários:
Ontem já foi melhor. Hoje tens que acreditar que o será, também. Mas haverá dias maus. E vais, com toda a certeza, ultrapassá-los.
Sim. Não tenho dúvidas que vou conseguir ultrapassar os dias maus. A questão que ponho é: quem estará lá para me ajudar a ultrapassá-los? Porque qualquer pessoa se aproxima quando estamos bem. Agora, quando estamos de rastos já é outra história... e é nesses momentos que vemos quem são os verdadeiros amigos. Aqueles que estão lá para nós, aconteça o que acontecer.
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